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23 outubro 2012

YTéC - Amphitheatrum Flavium




No dia 21 de outubro de 2012, ocorreu o 4º Campeonato Yugiohzístico de Caruaru City. O vencedor foi o nosso companheiro de aventuras: Erton “Cerikage” Vieira, vulgo “Meu irmão”. Ele jogou com o deck de Bestas Gladiadoras, também conhecido no torneio como “Só ganhou de mim por causa do Dimensional Fissure”. Bestas Gladiadoras é o deck bicampeão em Caruaru. E por isso, em forma de homenagem, contaremos a história não dos gladiadores, mas do maior palco que esses guerreiros tiveram a honra de derramar seu sangue, o grandioso Coliseu de Roma! 

[Olá, sou o Coliseu.]

A estrutura arquitetônica do monumento caracteriza-o como um anfiteatro, com as arquibancadas dispostas em ordem ascendente, tanto é que originalmente o Coliseu de Roma era conhecido como Amphitheatrum Flavium, ou Anfiteatro de Flávio. 

E quem é esse Flávio? Ninguém! Não amiguinhos, não é um estratagema de Ulisses. Flávio não é uma pessoa, mas sim o nome de uma Dinastia. Os imperadores que construíram a obra colossal, Vespasiano e Titus (72 d.C. a 80 d.C.), faziam parte dessa dinastia. 

O Coliseu de Roma foi construído sobre o lago da casa de Nero, a Domus Áurea e ficou conhecido como Colosseum (e posteriormente Coliseu) porque ali foi achada a estátua gigante (obras conhecidas também como colossos) do imperador. Aliás, Colosseum é o nome da carta campo das Bestas Gladiadoras. Nada é por acaso, jovem Padawan. 

[Em algum lugar alí em cima tá escrito Colosseum - Cage of th GB. Acreditem.]

O Coliseu era um local onde seriam exibidos toda uma série de espetáculos, inseridos nos vários tipos de jogos realizados na urbe. Os combates entre gladiadores, entre estes e feras ou mesmo combates navais (?!), inseridos no vasto movimento propagandístico romano, concedia uma especial relevância às características essenciais da cultura romana, dos valores morais greco-romanos instituídos e do verdadeiro “tesouro” composto pelas lendas e mitos desta civilização.

Os assentos eram de mármore e a escadaria  ou arquibancada dividia-se em três partes, correspondentes às diferentes classes sociais: o podium (toca a música do Senna), para as classes altas; a meaniana, setor destinado à classe média; e os pórticos, para a plebe e as mulheres (não me processem feministas, estou apenas relatando a História). A tribuna imperial ficava no podium e era ladeada  pelos assentos reservados aos senadores e magistrados. Por cima dos muros ainda se podem ver as bases de sustentação da grade de cobertura de lona destinada a proteger do sol os espectadores. 

[O tempo é uma vadia!]

Antigamente, o Coliseu era "inundado" para treinos de batalhas navais. Isso mesmo amiguinhos, inundado. A arena dispunha de um excelente sistema de drenagem, a ponto de quando o sistema estava fechado, devido ao acúmulo de água da chuva, era possível até praticar batalhas navais no interior do Coliseu! Ou seja, é igual ao Recife (ou São Paulo, ou Rio de Janeiro, ou qualquer outra grande capital brasileira) quando chove, mas feito de propósito. 

O Coliseu era, portanto, e, sobretudo, um enorme instrumento de propaganda e difusão da filosofia de toda uma civilização, o monge e historiador inglês Beda afirmou em sua obra do século VII "De temporibus liber", "Enquanto o Coliseu se mantiver de pé, Roma permanecerá; quando o Coliseu ruir, Roma cairá e acabará o mundo". Embora o Coliseu tenha funcionado até ao século VI da nossa Era, foram proibidos os jogos com mortes humanas desde 404, sendo apenas massacrados animais como elefantes, panteras ou leões. Ou seja, o Coliseu virou uma grande arena Pokémon. O monumento permaneceu como sede principal dos espetáculos da urbe romana até ao período do imperador Honorius, no século V.

[Olá, sou uma foto do Coliseu instagran style]

Hoje, o Coliseu é o principal monumento turístico da cidade de Roma. O visitante pode fazer um tour pelas ruínas do monumento, conhecendo suas histórias e labirintos. Mas não é preciso ir à Roma para consumir produtos sobre o Coliseu, há diversos filmes e séries que demonstram sua imponência. Na tv, existe as séries Spartacus e Roma, no cinema há os filmes foásticos Ben Hur e Gladiador. Assim como aconselha um ser mais sábio do que eu: busquem conhecimento... sobre esse grande marco da história do seu mundo.



[My name is Maximus Decimus Meridius, commander of the Armies of the North, General of the Felix Legions, loyal servant to the true emperor, Marcus Aurelius. Father to a murdered son, husband to a murdered wife. And I will have my vengeance, in this life or the next.] 


That’s all, Folks. 

09 outubro 2012

[YTéC] Vale dos Reis




Pergunta rápida: o que tem dentro de uma pirâmide? Se você só respondeu “múmias”, parabéns. Você venceu na vida, só que ao contrário.

A antiga religião egípcia acreditava que uma pessoa poderia usufruir de todos os seus pertences no além-vida ou no pós-morte ou vice e versa. As pirâmides nada mais eram que um túmulo gigante para os imponentes reis egípcios, os famosos faraós. Uma fortaleza onde se encontraria o corpo mumificado do faraó e todos (TODOS!) os seus pertences, já que o bacana queria era aproveitar a farra na vida após a morte. Bem, era coisa para ca*#&$ dentro dessas pirâmides! E geralmente de ouro.

Não à toa, as pirâmides eram fortalezas labirínticas (óia!), construídas teoricamente para serem impenetráveis. Só na teoria. Na prática, as pirâmides era uma grande gincana: ganha quem conseguir saqueá-las primeiro. Há relatos que os saques das pirâmides começaram ainda no período a.C. E para um faraó, nada pior do que ter seus pertences roubados. E então? O que fazer?

A solução encontrada pelos faraós foi simples e genial, para a época pelo menos. Ao invés de construir pirâmides, que falhavam no quesito descrição, por que não escavar túneis em montanhas e vales de difícil acesso? Assim, em um vale na margem oeste do Rio Nilo, abaixo da Montanha de Tebas, foi construída uma série de tumbas, o que levou o lugar a ser conhecido como Vale dos Reis.  Ou seja, uma necrópole. Um NECROVALLEY!

[ A carta campo mais odiada/amada da história do Yugioh]

Sim, amiguinhos. A carta campo do nosso coração tem uma origem histórica egípcia muito marcante, diria até, imperial. Pois, durante 500 anos, as tumbas do Vale dos Reis foram construídas para abrigar os corpos e pertences de faraós e poderosos nobres do Império Novo Egípcio (da 17ª à 20ª Dinastia). A Montanha de Tebas era conhecida nos tempos antigos de ta dehent, ou O Pico. Sua forma se assemelha a uma pirâmide, o que pode ter influenciado a escolha do lugar.

[Forever Alone]

Apesar do Vale dos Reis se localizar em um ponto de difícil acesso, ainda sim havia o risco de saque, por isso foi criado uma polícia especial para proteção das tumbas, ou seja, grave keepers! Ou, com são conhecidos historicamente, os Medjai. Mas não vamos gastar munição agora, falaremos sobre essa guarda de elite em outro post.

Apesar do nome, lá também eram sepultados rainhas, príncipes e nobres. Mas no início as tumbas construídas no Vale dos Reis foram direcionadas apenas aos faraós, os primeiros enterrados foram os de Amen-Hotep I e Tutmés I. Até o rei Amen-hotep III, os reis eram enterrados na necrópole real, mas seu filho, Akhenaton, construiu a sua tumba em outro lugar. Akhenaton fez isso pois impôs uma mudança de todo paradigma religioso do Egito em seu reinado. Quando Akhenaton morreu, e foi sucedido por Tutancâmon, os faraós voltaram a serem sepultados no Vale dos Reis.

As tumbas reais são decoradas com cenas da mitologia egípcia e dão pistas para as crenças e rituais funerários do período. Mesmo com todos os ~sistemas de seguranças~ definidos na construção dessas tumbas, elas ainda sim foram fortemente saqueadas na antiguidades. Contudo, as câmaras ainda apresentavam a imponência faraônica típica do Antigo Egito. Ainda sim, o local ainda é foco de expedições arqueológicas e egiptólogas, tanto é que novas câmaras sepulcrais foram descobertas em 2008.

[Saqueando Explorando a necrópole, like a lord.]

A necrópole real ficou conhecida na atualidade por ter sido lá a descoberta do túmulo de Tutancâmon. A morte de Tutancâmon guarda vários mistérios e, para deixar a história mais estranha ainda, ele, supostamente, matou várias outras pessoas 3.000 anos depois, através daquela que seria conhecida como “A Maldição de Tutancâmon”. A crença na maldição surgiu depois que várias pessoas, que tiveram contato direta ou indiretamente com a tumba do jovem faraó, morreram de forma inesperada.

[O Rapto do Menino Dourado]

A tumba de Tutancâmon foi uma das maiores descobertas arqueológicas da história, isso devido ao estado de conservação e o inestimável tesouro intocado que jazia junto a múmia (é raro encontrar tumbas que não foram violadas e destruídas por saqueadores ao longo dos milênios).

Voltando à nossa querida Necrovalley, vocês perceberam que o efeito da carta é muito parecido com o motivo real da criação do Vale dos Reis? A carta tem o poder de proteger o cemitério de intrusos e deixar bem quietinho o que dorme sob suas tumbas. É amiguinhos, Yugioh também é cultura. Muita cultura. Basta só focar além daquilo que os olhos veem.

That’s all, folks.

01 outubro 2012

[YTéC] Book of... Mortos!


Aloha!

No início havia as trevas. As trevas da ignorância. Então veio o Sr. Bloch e nos mostrou toda a luz proveniente dos desenhos japoneses. E entre todos os desenhos da enxurrada que caiu no Brasil, estava o Yu-gi-oh. Um anime estranho, com protagonista de cabelo escroto portando cartas ~mágicas~. Hoje, macacos velhos, lembramos com afeto das desventuras de Yugi e sua trupe. Várias mudanças ocorreram daquela época para cá, mas uma coisa nunca mudou, as referências ao antigo Egito. E assim, antes tarde do que nunca, vamos mergulhar na mitologia principal do anime e do card game. 

Entre tantos temas, escolhi dissertar sobre um que é a referência central na construção de não uma, mas quatro cartas: Book of Life, Book of Moon, Book of Taiyou e Book of Eclipse. Sim amiguinhos, hoje vamos falar do famoso e temido Livro dos Mortos. 


[Livro da Vida]

Apesar do soturno nome, o “Livro dos Mortos” do Antigo Egito é o livro da vida (ou seja, Book of Life. Ãh?!  Ãh?!).  Fala sobre a vida agora, a vida no futuro e a vida eterna. As estradas, os caminhos, os portais, as horas, as leis e os guardiões da vida após a morte são explicados em detalhes. Na verdade, “Livro dos Mortos” foi uma denominação dada pelo egiptólogo alemão Karl Lepsius, em 1842. Os egípcios chamavam o livro de Prt m hru, o que pode ser traduzido como "A Manifestação do Dia" ou "A Manifestação da Luz".

Em seu cerne, o “Livro dos Mortos” é um conjunto de textos funerários. Antes, esses textos eram escritos nos sudários dos Reis e Rainhas do Egito. Sudários são aqueles tecidos que cobrem os mortos, os católicos podem fazer a ligação direta com o Santo Sudário,  onde teoricamente tem gravado à sangue o rosto do Cristo.

Com o passar do tempo, o povão começou a usufruir desse conhecimento e começaram a reproduzir os escritos em papiros. A evidência mais confiável do mais antigo “Livro dos Mortos” escrito em papiro é o manuscrito de Nu (com a mão no bo... não, deixa pra lá...), datado do início da 17ª Dinastia do Antigo Egito, não posterior ao reinado de Amenhotep III  em 1388 a.C. (favor não confundir com Imhotep, a múmia d’A Múmia).

Para os antigos egípcios, o “Livro dos Mortos” tem origem divina e foi escrita pelo deus Tot, o deus da sabedoria e assessor especial do panteão egípcio (É sério isso!). O livro tem como função dar ao morto os meios de obter três condições básicas para a sua sobrevivência no Mundo dos Mortos: as preces dedicadas às grandes divindades, a regeneração e as transformações e o domínio das forças divinas por meio do conhecimento de seus nomes secretos. 

Dessa forma o presun... er... digo... o morto seria capaz de sair à luz do dia (Prt m hru, lembram?), de leste para oeste como o sol, continuando a sua existência. Podendo rever a sua casa, proteger os seus familiares e amigos, vingar-se de seus inimigos, tomar uma biritas, dá uma passada no puteNÃO... pera!, desfrutar das oferendas, adorar o deus Sol e receber as bênçãos dos deuses. Obtendo a liberdade de locomoção e de alimentação tendo: “a felicidade no céu, a riqueza na terra e a vitória no Mundo Inferior”. Diga lá, tudo que uma alma cansada que acabou de morrer quer, né não?


[Olha alí o Piccolo...]

Logo O Livro possui dois temas principais: A vitória no Tribunal de Osíris ou Julgamento de Osíris (isso lembra alguma outra carta? Hein?! =P) e a transformação do morto em um espírito glorificado (Akh) diante do deus Rá, o maioral da parada. 

O livro tem 192 capítulos, cada um deles é precedido por um título escrito em vermelho sangue, que define o propósito do capítulo. Os textos eram escritos em preto e poderiam vir acompanhados de gravuras. E sua função não era meramente decorativa, muitas vezes ou pela falta de espaço ou para encurtar o tamanho do livro, servem como substituto do texto, fazendo com que muitos exemplares do “Livro dos Mortos” sejam quase que exclusivamente constituídos por ilustrações. Tipo um livro para criança de 4 anos, saca? Só que com significados fúnebres e pesados e tal...


[You can't handle the truth!] 

Os capítulos d'O Livro são divididos por temas, assim temos: a) Capítulos 1 a 16: chegada do cortejo fúnebre à necrópole, a passagem pelas Portas guardadas por “demônios” e os hinos a Osíris e ao Rá; b) Capítulos 17 a 63: regeneração solar do Morto; c) Capítulos 64 a 129: a transfiguração e a regeneração do morto além do ponto focal do "Livro dos Mortos", o Tribunal de Osíris; d) Capítulos 130 a 161: consequência de tornar Akh e desfrutar da glorificação e viajar na Barca Solar pelo Mundo Inferior. Descrição geográfica do Mundo dos Mortos e como confeccionar os principais amuletos funerários; e) Capítulos 162 a 192: Fórmulas de proteção mágica e homenagens à Osíris e Rá no Mundo Inferior.

O “Livro dos Mortos” marca um momento decisivo na história, não somente da literatura egípcia, mas do próprio ser humano diante de questões universais, como a existência de uma alma imortal, as consequências das ações terrenas em uma vida póstuma onde os justos serão glorificados e desfrutarão da vida eterna. 

That’s all, folks...


25 setembro 2012

[YTéC] A mitologia do Reborn Tengu




Olá cambada

Depois de meses de recesso, nossa tão amada seção voltou! (ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ). E volta com o mesmo objetivo utópico e hercúleo de outrora: tentar extrair um pouco de cultura desse nosso querido joguete. Mas como diz o famoso mestre monge que esqueci o nome: Não se pode aprender nada se a mente já está lotada. Logo, já que não há nada na cabeça de vocês, estamos no caminho certo! Então, peguem já seus cadernos, lápis e borrachas, que a aula já vai começar.

Hoje, nós dissertaremos sobre a origem do ser lendário que inspirou a criação de uma carta que era sensação de sua época, até ser sumariamente dizimado pela Konami: a famigerada Reborn Tengu. 



[Ah, maldita!]

O Tengu (天狗) é uma criatura fantástica, que mora (ou morava) nas florestas e montanhas,  permeia as lendas budistas e xintoístas, lendas estas que tinham mais força no Japão e na China, já que eram os berços do budismo e do.... ah, vocês sacaram, né?

Aliás, a palavra Tengu é de origem chinesa. “T’ien-gu” é a versão japonesa do hieróglifo chinês “T’ien-kou”, que quer dizer Cão Celestial. O que é uma ironia, considerando que uma das versões da lenda do Tengu, a criatura tinha corpo de homem e cabeça de corvo, chamado de Karasu Tengu. Já a versão da lenda mais parecida com a malfadada carta Reborn Tengu (um minuto de silêncio pela carta: ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...) é o Konoha Tengu, ao qual adotaremos aqui como a versão correta e definitiva da criatura lendária. E por que isso? Porque a seção é minha e eu faço o que quiser.  

O Konoha Tengu, ou só Tengu, possui feições humanas, mas é dotado de asas e possui um nariz, podemos dizer, avantajado. Uma napa respeitável. Uma puta nariga. Um nariz de palhaço vindo do segundo círculo do inferno. Uma venta fálica do apocalipse. A maioria das versões da criatura aparece com uma longa barba, assim como na homônima carta.


[Olha o tamanho daquela napa!]

O Tengu é a versão lendária japonesa do Sérgio Malandro. Ou seja, um agente do caos. Sua principal diversão é causar desordem. No início das lendas, a criatura era o catiço, comia criancinhas (no sentido gastronômico, sua mentes doentias!), botavam fogo nos lugares, chutavam velhinhos, fazia e acontecia. Mas no decorrer do tempo, foi atribuído aos Tengu características como amor, amizade, ajuda e apoio. Isso que dizer que se o viajante não fosse um filho da puta, o ser lendário dava um help para o transeunte que passava nas suas montanhas e florestas. Mas mesmo assim, eles ainda gostavam de pregar peças em sacerdotes que pecavam no orgulho, em autoridades egoístas e samurais arrogantes. E por ser uma criatura lendário-mitológica, é óbvio que possui algumas habilidades especiais. 

Aos Tengu são atribuídos grandes conhecimentos em kenjutsu, comparados aos mestres das artes marciais. Mas essas criaturas também possuem poderes místicos, e é um dos poderes relacionados à criatura a clara inspiração para o efeito da carta Reborn Tengu. Eles possuem a capacidade de mudar de forma (pode se tornar um humano ou animais, de preferência texugo e raposa), ventriloquismo, teletransporte e a habilidade singular de penetrar no sonho dos mortais. Sim, é a habilidade mística do teletransporte que foi a inspiração para o efeito do monstro, já que o Reborn Tengu pode ser invocado especialmente do deck se o mesmo sair do campo. Resumido: ~robado~.  

Mas nem tudo é bagunça na vida dos Tengu, há hierarquia até mesmo entre eles. As versões com a cabeça de corvo é inferior hierarquicamente do que a versão do nariz gigante. E, vejam só, eles têm até um rei, que possui a sonora alcunha de Sojobo. Reza a lenda que o Rei Tengu possui cabelos e barba longos e brancos, like a Papai Noel. As mesmas lendas atribui à Sojobo o treinamento do Minamoto no Yoshitsune, um dos maiores e lendários samurais da história do Japão. Até mesmo os ninjas são ligados como descendentes dos Tengu em algumas passagens. 


[Papai Noe~não... pera!]

O caso é que a lenda sobreviveu até os dias de hoje. Nos festivais japoneses, não é raro ver pessoas utilizando máscaras que representa as criaturas, famosas máscaras do Teatro Nô, sempre com seu característico nariz. A cultura pop atual também absorveu a lenda em suas histórias. 


[Eu quero uma máscara dessa.]

Um Tengu aparece como chefe final no jogo Dead or Alive 2. Até o Batman teve que enfrentar uma dessas representações durante o arco “A Queda do Morcego”. Mais recentemente, pudemos ver um Tengu apavorando a cidade de Tóquio, no mangá Gantz. E ainda representado através do megazord do personagem Madara, no mangá Naruto.



 [Só coisa linda...]

Ou seja, a Reborn Tengu possui como representação visual uma entidade lendária das mais respeitadas no oriente, e merece o nosso respeito aqui nessa esculhambação de país também. 

That’s all, folks. 

26 agosto 2011




Olá amiguinhos!

No final da década de 80 e começo da década de 90 houve uma verdadeira invasão da cultura japonesa aqui no Brasil. O que contribuiu a esse fato foram os desenhos que baixaram com força em terras tupiniquins. Cavaleiros do Zodíaco, Shurato, YuYu Hakusho, Super Campeões, Fly, Dragon Ball. São só alguns dos desenhos que serviram de babá para a nossa geração.

A consequência dessa entrada massiva de animes é a aceitação inconsciente da mitologia japonesa. Aprendemos e assimilamos muitos dos costumes japoneses quando crianças, e por vezes deixamos passar algumas situações e personagens que não tem explicação ocidental.

Um dos personagens que mais demonstra essa dicotomia entre os costumes ocidentais e orientais é o dragão.

Enquanto nas lendas ocidentais o dragão é um lagarto-voador-superdesenvolvido-cuspidor-de-fogo, os dragões orientais são descritas de forma diferente. Ele é parecido com o Shen-long de Dragon Ball e como o synchro modinha Naturia Barkion.


A imponente criatura é praticamente um Frankenstein, pois possui olhos de tigre, corpo de serpente, patas de águia, chifres de veado, orelhas de boi, bigodes de carpa, realiza um desejo, etc. Dragões sempre fizeram parte das lendas e mitologia chinesa, japonesa e coreana, e geralmente representam magia e poder. Somente imperadores poderiam utilizar o símbolo do dragão, pois era um ser sagrado e consagrado aos nobres.



O Naturia Barkion foi inspirado em um dragão em especial, um dos quatro deuses celestiais do Budismo, o Seiryuu, ou Dragão Azul do Leste. Como a maioria dos monstros que aparecem nas mais diversas mitologias, Seiryuu também tem sua constelação. Na verdade, Seiryuu é um grupo de 7 constelações, cada um representando uma parte do corpo:


1. Suboshi(chi: Jiăo ) - Chifre
2. Amiboshi( chi: Kàng ) - Pescoço
3. Tomoboshi( chi: Dĭ ) - Raíz
4. Soiboshi( chi: Fáng ) - Quarto
5. Nakagoboshi( chi: Xīn )- Coração
6: Ashitareboshi( chi: Wěi ) - Cauda
7. Miboshi( chi: Jī ) - "Peneira que separa grãos da casca"

Assim como os signos do zodíaco circundam o Sol, as constelações dos deuses celestiais circundam a Lua. Por isso as sete constelações que forma Seiryuu é conhecida também como As Sete Estações Lunares do Leste. Bonito isso né?

Relembrando os animes que você já deve ter assistido na vida, com certeza já viu esse nome antes. É o nome daquele maluco que é fatiado por Hiei na primeira missão do Time Urameshi. Eram quatro os demônios que o Urameshi tinha que dar conta: Biakko, Seiryuu, Genju e Suzaku.

Lembra agora? Olha o Seiryuu aí todo chique dragão...
Uma mariola para quem me dizer qual é o nome dos quatro deuses celestiais supracitados! Porra, não só Yugioh, mas como YuYu Hakusho também é cultura!


No Japão, acreditasse que os quatro deuses protegem a cidade de Kyoto, Seiryuu é responsável pela proteção do setor Leste, logo seu nome deriva do posto. Há templos na cidade que são voltados para o Seiryuu. Todos, é claro, situados na parte leste da cidade.



O Seiryuu também representa a chegada da Primavera, e o elemento madeira. Por quê? Porque o ser humano tem essa necessidade de acumular serviço em apenas uma pessoa, ou no caso, deus celestial.

=)

That’s all, folks!

19 agosto 2011




Olá amiguinhos!

Que bom que vocês voltaram. Vamos continuar com a história que inspirou na construção d’Os Monarcas.

Como vimos na primeira parte desse post, Os Monarcas foram inspirados nos 7 reis de Roma. Mas aí me disseram que, no começo, foram criados apenas seis Monarcas. Só depois foi adicionado mais um.

O que faz que Os Monarcas sejam relacionados aos Reis da Roma Antiga é mais profundo. Para isso, vamos analisar cada monarca.


Raiza, Monarca da Tempestade 


"Raiza, Monarch the Storm" pode ser relacionado ao primeiro rei de Roma, Rômulo. Pois foi quando um círculo de pássaros pairou sobre Rômulo, uma antiga profecia afirmava que aquele a qual esse fenômeno acontecesse, seria o rei. Explicando por que "Raiza" tem um pássaro como crista na cabeça.  No fim da vida, a comitiva em que Rômulo fazia parte foi tomada por uma tempestade, e o rei desapareceu sem explicações.


Kuraz, Monarca da Luz


"Kuraisu", seu nome na OCG, é uma abreviação de "Kuraisuto", uma tradução fonética de Jesus Cristo. Isso também pode ser apoiado por este monstro ter uma posição semelhante à de Cristo pregado na cruz verdadeira, bem como a peça circular em volta Kuraz é semelhante a um halo. Numa Pompílio, o segundo rei de Roma foi conhecido como o rei mais justo e religioso de todos eles. A personalidade justa de Numa Pompílio se apresenta também em seu efeito, onde o adversário perde uma carta no campo, mas compra uma também. Equilibrando os danos.


Zaborg, Monarca do Trovão


"Zaborg a Monarch Thunder" poderia ser derivado de Tulio Hostilio, o terceiro rei de Roma. Pois, diz-se que o rei foi atingido por um raio devido ao seu orgulho, morrendo por essa causa. Não obstante, Zaborg é o Monarca do Trovão.


Mobius, Monarca do Gelo 


Esse Monarca é um dos mais difíceis de fazer uma relação com um dos reis de Roma. Contudo, sendo o Monarca da Água, é possível liga-lo ao quarto rei de Roma, Anco Márcio. O Rei foi o responsável por levar o reino de Roma ao litoral europeu. Ou seja, foi o responsável a levar o reino romano ao mar.


GranMarg, Monarca da Rocha 


GranMarg é considerado por todos o monarca mais inútil. O que é uma injúria. Esse monstro é importantíssimo, tanto é que... não... quem eu quero enganar, esse monstro é inútil mesmo. Podemos ligar essa bomba ao Tarquínio Prisco, quinto rei romano. Tarquínio foi o responsável pelo maior evolução infraestruturial (?!) da cidade. Ele construiu os maiores monumento de Roma. Rocha, construção, monumentos. Pegaram?


Thestalos, Monarca do Fogo


"Thestalos" pode ser derivada de Servio Tulio.  Diziam que ele tinha um anel de fogo ao redor da cabeça quando ele tinha uma tenra idade, um sinal de que ele iria se tornar rei.


Caius, Monarca Sombrio



O último rei de Roma foi o Tarquínio, o Soberbo. O feladamãe foi tão escroto que tocou o terror em Roma, a verdadeira Era do Caos. Tanto fez que foi assassinado em um golpe de Estado, pelo Estado que tinha acabado de surgir. Pois o reinado foi substituído pela república. Foi reconhecido como o Rei do período mais negro do reino, o Monarca Sombrio.

E aí você me pergunta: E o Delg? Onde fica?



Então amiguinhos, o novo monarca foi desenvolvido há pouco tempo. E logicamente, não pode ser remetido a nenhum dos sete Reis de Roma. Contudo, na bíblia há uma passagem no livro do Apocalipse que fala de um oitavo rei de Roma, que procede dos 7 antigos e vai para a destruição.

Logo, todos os Monarcas são historicamente relacionados a Roma. E isso é lindo.

Então, até a próxima aula.

That’s all, folks!


12 agosto 2011



Olá amiguinhos!

Na sessão passada nós falamos sobre a mitologia hindu. A relação entre carta e mito foi bem clara. Contudo, nem sempre é assim tão fácil encontrar as referências às quais os criadores das cartas de Yugioh utilizam para confeccioná-las.

E é o que acontece com as estrelas desse nosso post: Os Monarcas.



Os monarcas estão por aí há muito tempo. E fazem raiva desde sempre. A família era formada por sete cartas, cada um com atributo e efeito diferente. Por sua versatilidade, são capazes de se esgueirar pela maioria dos decks.

Mas esses carinhas surgiram do mais profundo nada? Não. Mais uma vez o japonês-maluco-criador-das-cartas-que-esqueci-o-nome se inspirou em uma passagem histórica como inspiração. E dessa vez, foi uma passagem histórica fora do campo da mitologia, pois estamos falando de Roma.

O número sete é um numero bastante importante na história da cidade italiana. Na antiguidade, Roma era famosa por ser o centro do mundo ocidental. A primeira visão dos viajantes da cidade eram as suas sete colinas: Palatino, Aventino, Campidoglio (ou Capitólio), Quirinale, Viminale, Esquilino, e Celio. As sete colinas de Roma, eventualmente, foram tomadas pelas moradias dos habitantes da cidade.

“Ah, então os Monarcas foram inspirados nas sete colinas de Roma?”

Não. Houve outros “sete” que seriam bem mais importantes que montes de terra e pedra.

Mas antes, é importante lembrar que a Roma Antiga não se resume apenas aos tempos dos césares. Antes de se tornar o famoso Império Romano, Roma foi uma república. E antes de ser uma república, Roma foi uma monarquia. E durante o período da Monarquia Romana, a cidade teve sete reis. SETE!

Todo mundo aqui deveria saber a lenda da criação da cidade de Roma. Àqueles que não sabem, um pequeno resumo: dois guris de nome Rômulo e Remo nascem, são jogados ao léu, encontram uma loba, é amamentada pelo animal, crescem, Rômulo constrói Roma.


Essa lenda não condiz com os registros históricos da época, mas quem quiser saber mais sobre esse assunto, pergunta ao Google. Enfim, depois de uma disputa de sangue entre os dois irmãos, Rômulo mata Remo, funda a cidade de Roma, tornando-se assim o primeiro rei de Roma. Segundo a lenda, isso aconteceu em 753 a.C.

“Mas então, quem foram afinal os sete reis de Roma?”

Bem, cronologicamente, os sete reis de Roma foram:

1. Rômulo (753-716 a.C.)
2. Numa Pompílio (715-672 a.C.)
3. Túlio Hostílio (673-642 a.C.)
4. Anco Márcio (640 – 616 a.C.)
5. Tarquínio Prisco (616 – 579 a.C.)
6. Sérvio Túlio (578-534 a.C.)
7. Tarquínio Soberbo (534 – 509 a.C.)

A relação entre esses sete reis e as sete cartas monarcas nem sempre é clara. É preciso creditar algumas decisões no desenvolvimento das cartas à criatividade do japonês maluco. Mas ainda sim, é possível forçar uma ligação entre eles. E é isso que vamos ver. Mas não agora.

Na próxima sessão do Yugioh também é cultura, continuaremos a nossa conversa. Até lá.

That’s all, folks.

07 agosto 2011

Olá amiguinhos.

Quem joga este nosso desporto é uma pessoa diferente das outras. Alguns podem achar que somos meros babacas que gastam rios de dinheiro com pedaços de cartolina de 15x10 cm. Bem, em parte é verdade, desculpe. Mas por outro lado, nós temos um hobby que preza o exercício da inteligência. E isso nos torna melhores que a maioria das pessoas.

Contudo, cultura e inteligência são coisas diferentes. Correlatas, mas diferentes. E o que muita gente não percebe nesses pedacinhos de papel é que há uma carga multi-cultural incrível. Como o Sakekage me disse um dia: “esse japonês maluco pesquisa antes de fazer essas cartas”. E é verdade. Grande parte dos monstro apresentados em Yugioh tem um background. É uma pena isso passar despercebido atrás de 4500 pontos de ataque.

Mas não mais! Pois a partir de hoje, vou mostrar a vocês a mitologia das cartas (pelo menos daquelas que as tem). Porque...



E vamos começar essa sessão com a carta mais comentada de todos os tempos da última semana: Trishula, Dragon of The Ice Barrier.



Trishula (do sânscrito, significa "lança trifurcada") é um tipo de tridente encontrado no sudeste da Ásia. O número três é uma constante da mitologia hindu. Não obstante, o Trishula é um símbolo hindu-budista, constantemente relacionado ao deus Shiva. Por ser um tridente, cada ponta do trishula tem um significado. Mas antes, é importante entender outra trindade. Shiva faz parte da Trimuti, junto com Brahma (piadas com a cerveja homônima serão desconsideradas e o autor das mesmas será elevado a posição de idiota) e Vishnu. Os três são os deuses mais poderosos da mitologia hindu, e cada um tem uma função.


A visão do universo hindu é cíclica. Isso quer dizer que tudo tem que morrer para começar de novo. Logo, cada um dos grandes deuses tem sua função nesse ciclo. Brahma, é o criador, responsável pela criação do universo. Vishnu é o responsável pela manutenção do universo, além do que Brahma criou o universo no ventre de Vishnu. Já Shiva é o responsável pela destruição do universo.

Contudo, Shiva não é um vilão, apesar de ser o Deus da Destruição. O fim do universo é, na verdade, um recomeço. A destruição é necessária para se manter o ciclo. E o Trishula é a principal arma utilizada por Shiva no seu job.

O trishula tem cada ponta relacionadas com as três qualidades da matéria: tamas (a inércia ou a existência), rajas (o movimento ou firmamento) e sattva (o equilíbrio ou trevas). As três pontas do tridente ainda pode ser interpretado de várias formas, a mais prática delas é como o passado, o presente e o futuro. Ou seja, com o Trishula, Shiva pode destruir toda a matéria, passado, presente e futuro. É a arma do armagedon!


Voltando à carta de Yugioh, vocês perceberam a relação da mitologia com o efeito do monstro? O efeito é remover uma carta da mão (futuro), campo (presente) e cemitério (passado). Legal, né?

Contudo, não é só o Shiva que aparece em posse de um Trishula. A deusa Durga também usa o trishula, entre outras armas presenteadas por Shiva e Vishnu.

Então agora você sabe porque do efeito e do desenho da carta. Esse japones pesquisou mesmo antes de fazer essas cartas...

Thats all, folks!